A suspirou e olhou para o relógio. Parecia-lhe que a viagem estava a demorar uma eternidade e era capaz de jurar que já tinham passado, à vontade, uns bons catorze dias desde que se tinha sentado no seu lugar.
Fáfá e a cabra, que entretanto tinham formado uma bonita amizade, dormitavam abraçados no banco à sua frente e, aborrecido, A decide tentar meter conversa com a menina que passeia o carrinho das bebidas.
De súbito o comboio pára com grande aparato e malas, revistas e bebés voam carruagem fora com o safanão. Adolescentes histéricas gritam, donas de casa apoquentadas desmaiam, idosas incomodadas resmungam que no tempo do Salazar é que era bom e uma ou outra pinga de urina é vertida.
Alguém havia puxado o travão de emergência, mas quem? Curioso, A olhou em volta apenas para descobrir que era a sua própria mão que repousava na alavanca.
"Raios, esqueci-me de tomar os comprimidos!", exclamou.
O que poucos sabiam é que...
"Ei, quem é que disse isso?"
.. A sofria do Síndrome do Dr. Estranho-Amor, uma condição...
"Quem é que está a falar?"
... que faz com que um braço se mova independente da vontade do seu dono...
"Tiagu, és tu?"
... e sem a medicação apropriada é apenas uma questão de tempo até que as tropelias se sucedam e algumas vidas se percam.
"Grassa?..."
No caso de A, e apenas no seu, outro dos sintomas é a audição de vozes de eventuais narradores.
"Michael Phelps?"
Narradores. Não nadadores.
"Ah. Isso faz mais sentido."
Posso continuar?
"Desculpa."
Agora já me perdi.
a) A toma os comprimidos, fica bom, pede desculpa ao pica pelo incómodo e o comboio retoma a sua viagem;
b) O braço de A, um justiceiro renegado chamado Cobra, decide combater o crime à estalada na grande cidade;
c) Acontece algo de tão espectacular que até era pena se eu adiantasse aqui qualquer coisa e estragasse a surpresa.